A expansão contemporânea da inteligência artificial, especialmente com a difusão de modelos de linguagem de larga escala, tem sido frequentemente descrita sob retórica de ruptura. Contudo, a evidência histórica e econômica sugere que a transformação em curso não configura descontinuidade institucional abrupta, mas processo de reestruturação progressiva da organização do trabalho. Nesse sentido, a analogia pertinente é com a revolução industrial, não como recurso metafórico, mas como categoria analítica voltada à compreensão de mudanças estruturais no conteúdo das tarefas produtivas.
A revolução industrial promoveu a mecanização de atividades físicas repetitivas, elevando a produtividade e deslocando ocupações artesanais intermediárias. Não houve supressão do trabalho humano em termos agregados, mas reconfiguração do conteúdo das funções exercidas. De modo semelhante, a literatura contemporânea em economia do trabalho demonstra que transformações tecnológicas alteram a estrutura das tarefas desempenhadas nas ocupações. Os economistas Acemoglu e Autor (2011) sustentam que a mudança tecnológica reorganiza a demanda por habilidades ao modificar a composição interna das tarefas, produzindo efeitos assimétricos ao longo da distribuição de qualificação.
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